Em
muitos atendimentos de emergência, a família se vê diante de decisões difíceis
sobre tratamentos médicos, sem saber ao certo o que a pessoa realmente
desejaria. Nesses momentos, o testamento vital, também chamado de
escritura de diretivas antecipadas de vontade, passa a ter um papel central,
pois registra por escrito quais cuidados médicos o paciente aceita ou recusa em
situações graves.
Esse
documento é elaborado enquanto a pessoa está lúcida e capaz, com orientação
jurídica e médica, e registrado em cartório para dar maior segurança. Dessa
forma, profissionais de saúde e familiares têm uma referência clara sobre como
proceder diante de doenças irreversíveis, estágios terminais ou perda de
consciência prolongada, reduzindo conflitos e incertezas.
O
que é testamento vital e como funciona na prática?
O testamento vital é
uma declaração formal na qual a pessoa manifesta antecipadamente sua vontade
sobre tratamentos médicos futuros, caso não consiga se comunicar.
Diferentemente do testamento patrimonial, ele não trata de bens, heranças ou
divisão de patrimônio, mas apenas de decisões ligadas à saúde, como uso de
aparelhos, internação em UTI e medidas de suporte de vida.
Em
geral, o documento é lavrado por meio de escritura pública em
cartório de notas. Na prática, quando um paciente chega ao hospital em estado
crítico e não pode se expressar, a equipe médica consulta o testamento vital,
se ele existir e tiver sido apresentado pela família ou pelo procurador de
saúde indicado. Assim, as condutas são alinhadas ao que foi registrado, dentro
dos limites éticos e legais da medicina.
É
comum que o texto aborde situações como doenças incuráveis, ausência de
perspectiva de recuperação e risco de sofrimento prolongado. O conteúdo deve
ser claro, objetivo e compatível com a legislação brasileira e com as normas
dos conselhos de medicina.
Testamento
vital garante que desejos médicos sejam respeitados?
A
função principal do testamento vital é justamente aumentar a
probabilidade de que a vontade do paciente seja respeitada, especialmente em
cenários em que não há possibilidade de comunicação. Embora a decisão final
sobre procedimentos continue sendo técnica, tomada pela equipe médica, o
documento serve como referência central sobre preferências do paciente.
Entre
os pontos que costumam ser tratados nessa escritura de diretivas antecipadas
estão:
Ao
registrar essas escolhas, o testamento vital ajuda a reduzir conflitos entre
familiares, diminui o risco de decisões contraditórias e oferece um respaldo
maior ao médico, que passa a contar com um documento formal para orientar a
conduta.
Como
fazer um testamento vital em cartório e quanto custa?
Para
formalizar o testamento vital em escritura pública, a pessoa geralmente
segue alguns passos básicos. O primeiro é refletir sobre seus valores, crenças
e limites em relação a tratamentos prolongados. Em seguida, é recomendável
conversar com médico de confiança e, se possível, com um advogado, para
esclarecer termos e evitar disposições incompatíveis com a lei ou com a ética
médica.
Depois
dessa etapa, o interessado procura um cartório de notas levando
documentos pessoais (como RG e CPF) e, se houver, rascunho das diretivas
desejadas. O tabelião transforma essas instruções em uma escritura pública, que
será lida, conferida e assinada. Em muitos casos, o próprio cartório orienta
sobre a redação mais adequada, mantendo a vontade do declarante e ajustando a
forma jurídica.
Em
2026, o valor médio para lavrar uma escritura de testamento vital costuma
variar aproximadamente entre R$ 500 e R$ 1.200, de acordo com a tabela de
emolumentos de cada estado e eventuais acréscimos, como cópias autenticadas.
Esses valores se referem às taxas de cartório, podendo sofrer
atualizações anuais.
Quais
pontos considerar ao elaborar um testamento vital?
Ao
redigir um testamento vital, especialistas costumam sugerir que a pessoa
observe alguns cuidados para evitar ambiguidades. A linguagem deve ser direta,
sem termos vagos, indicando em quais situações as diretivas se aplicam e quais
tratamentos pretende recusar ou priorizar. Também é importante mencionar o
desejo de receber analgesia e conforto, mesmo que outros procedimentos sejam
limitados.
Uma
forma prática de organizar o conteúdo é pensar em blocos temáticos:
Também
é recomendável informar familiares próximos sobre a existência do documento e
guardar cópias acessíveis. Alguns profissionais sugerem que o testamento vital
seja revisto periodicamente, pois valores pessoais e condições de saúde podem
mudar com o tempo.
Fonte:
Portal Léo Dias