Medidas
ampliam prazos, reduzem entraves técnicos e financeiros e reforçam a segurança
jurídica de produtores rurais e assentados
Ao
longo de 2025, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados (CAPADR) aprovou um conjunto de
projetos de lei voltados ao aprimoramento das regras de georreferenciamento de
imóveis rurais. As propostas tiveram como foco principal a ampliação de prazos,
a redução de entraves técnicos e financeiros e o fortalecimento da segurança
jurídica no campo, atendendo a demandas históricas de produtores rurais e
assentados da reforma agrária.
Um
dos destaques foi a aprovação do Projeto de Lei 1294/2025, de autoria da
deputada Daniela Reinehr (PL-SC), integrante da Frente Parlamentar da
Agropecuária (FPA), que prorroga o prazo para a realização do
georreferenciamento de imóveis rurais. A parlamentar ressaltou que, embora o
instrumento seja fundamental para a regularização fundiária, sua implementação
ainda enfrenta obstáculos significativos. “A implementação tem enfrentado
vários desafios, como a falta de profissionais qualificados, altos custos para
os proprietários rurais e dificuldades técnicas em determinadas regiões do
país. A proposta ajusta esses pontos”, afirmou.
Relator
da matéria, o deputado Thiago Flores (Republicanos-RO), também integrante da
FPA, destacou que mais de duas décadas após o início da exigência legal,
persistem entraves que inviabilizam o cumprimento integral da norma. “Esse
cenário indica que a solução mais adequada e juridicamente segura é estabelecer
um novo marco temporal para o início da exigência do georreferenciamento e
conferir clareza normativa”, explicou.
Ainda
no tema da prorrogação de prazos, a Comissão aprovou o Projeto de Lei
1664/2025, de autoria da deputada Caroline de Toni (PL-SC), vice-presidente da
FPA na Região Sul. O texto aprovado estabelece novo prazo até 2030 para a
exigência de identificação georreferenciada nos casos de desmembramento,
parcelamento, remembramento ou transferência de imóveis rurais. O substitutivo
relatado por Thiago Flores ampliou a proposta original, estendendo o benefício
a todos os imóveis rurais registrados a partir de 1º de novembro de 2003, e não
apenas aos de até 25 hectares.
Para
o relator, a medida garante previsibilidade e evita prejuízos aos
produtores.“Nosso objetivo é dar tranquilidade ao produtor rural, evitando que
exigências burocráticas prejudiquem o direito à propriedade. O
georreferenciamento é importante, mas precisa ser implementado com prazos
factíveis e justos”, afirmou Flores.
Já a
autora da proposta destacou o caráter equilibrado da iniciativa diante das
dificuldades enfrentadas no campo. “A prorrogação do prazo se justifica pelos
entraves técnicos, econômicos e operacionais que ainda afetam os pequenos
proprietários, sobretudo em regiões com menor infraestrutura fundiária e
cartorial. Esse adiamento é razoável e proporcional, sem comprometer o objetivo
de consolidar a base territorial georreferenciada do país”, declarou Caroline
de Toni.
Outro
avanço relevante ocorreu com a aprovação do Projeto de Lei 1231/2025, de
autoria do deputado Nelson Barbudo (PL-MT), que transfere ao Incra a
responsabilidade pela execução e custeio do georreferenciamento dos lotes da
reforma agrária antes da titulação definitiva. O parecer favorável foi
apresentado pelo deputado Lúcio Mosquini (MDB-RO).
Segundo
o autor, a mudança corrige uma distorção que onerava famílias assentadas. “Ao
assumir essa responsabilidade, o Incra não apenas desonera as famílias, mas
também garante que o serviço seja feito com qualidade, dentro dos padrões
exigidos. Isso significa mais agilidade na titulação e mais segurança jurídica
para quem vive e produz no campo”, afirmou Nelson Barbudo.
Para
o relator, a proposta fortalece a atuação do poder público na política de
reforma agrária. “Essa proposta reduz entraves burocráticos e financeiros que
atrasam a titulação definitiva da terra e acelera a inclusão dos assentados no
sistema formal de propriedade rural. Estamos formalizando uma prática que já
ocorre, mas agora com segurança jurídica e respaldo legal”, destacou Lúcio
Mosquini.
Fonte:
Agência FPA